segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

[31] PETROBRAS (01): REFINARIA PREMIUM NORTE - NORDESTE: ESTUDOS DE MICROLOCALIZAÇÃO NO PERÍODO 1987-2003 [02fev2015]

REFINARIA DA PETROBRAS NO NORDESTE:
ESTUDOS DE MICROLOCALIZAÇÃO NO PERÍODO 1987-2003 DA
RENOR - REFINARIA NORTE-NORDESTE DA PETROBRAS
Um projeto estratégico nacional para o desenvolvimento sustentável da Amazônia, Centro-Oeste, Meio Norte e Nordeste.
Revisão_03-fev.2014
Imagens [11 anos depois do artigo abaixo transcrito] do canteiro de obras da Refinaria Premium da Petrobras em Bacabeira, Maranhão.
Fonte: Site Petrobras, 28.maio.2014

http://www.petrobras.com.br/pt/nossas-atividades/principais-operacoes/refinarias/refinaria-premium-i.htm

Data 28/05/2014.










ARTIGO PUBLICADO EM ABRIL 2003

APRESENTAÇÃO
1.      O presente relatório Aide-Mémoire / Sumário Executivo sintetiza as principais referências e informações (disponíveis no Maranhão) relativas ao período de 1987-2003 sobre o projeto de implantação da RENOR – Refinaria Norte/Nordeste da PETROBRAS e os estudos por esta realizados para definir a microlocalização industrial de processamento de petróleo e seus derivados.
  1. As informações foram obtidas em documentos e eventos junto às seguintes fontes: Governo do Estado do Maranhão, Governo Federal, Congresso Nacional e PETROBRAS.
  2. Desde 1993, como Subsecretário de Estado da Indústria, Comércio e Turismo do Governo Edison Lobão [até 31/12/94] e, depois como Assessor Especial da Presidência da Câmara Municipal [em 1995], na condição hoje de Assessor Especial da Presidência da Assembléia Legislativa [desde 1999], participamos das Campanha Pró-Refinaria no Maranhão.
  3. Há exatos 8 anos, em abril 1995, participamos também das audiências da Petrobras sobre a RENOR, na Câmara Federal e no Senado, das quais arquivamos cópias dos respectivos relatórios para consulta.
  4. Como arquiteto especializado em planejamento urbano e regional consideramos a RENOR como um dos projetos de maior importância estratégica para acelerar e consolidar o processo de desenvolvimento integrado dessa vasta região que engloba o Meio Norte, o Centro-Oeste, a Amazônia Oriental e o Nordeste Ocidental.
  5. Em linhas gerais, esse é o enfoque como pressuposto da estratégia de campanha para o Maranhão liderar a implantação da RENOR como um PROJETO DE INTERESSE REGIONAL E NACIONAL.
  6. As opiniões e comentários sobre os temas aqui abordados são de exclusiva responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, a visão do Governo do Estado do Maranhão e de nenhuma autoridade do Poder Executivo ou do Poder Legislativo.

São Luís, Patrimônio Cultural Nacional e Mundial, MA
08.Abril.2003
Ronald de Almeida Silva
Arquiteto, planejador urbano e regional CREA-RJ 21.900-D




ESTUDOS PARA IMPLANTAÇÃO DA
REFINARIA PETROBRAS NORTE NORDESTE - RENOR
NO CORREDOR MULTIMODAL DE DESENVOLVIMENTO INTEGRADO
CENTRO NORTE – COMDINOR.
AVALIAÇÃO DOS ESTUDOS E CAMPANHAS 1987 - 2003.
Aide-Mémoire
UM PROJETO DE INTERESSE NACIONAL.
PRESSUPOSTOS DA ESTRATÉGIA DA CAMPANHA PARA O MARANHÃO LIDERAR A IMPLANTAÇÃO DA RENOR.


1)      REFINARIAS DA PETROBRAS:
1.1.            A Petrobras tem hoje [abr.2003] 11 refinarias no Brasil e 03 no exterior.





1.2. Podemos verificar que entre as refinarias mais próximas do Maranhão - entre as da Bahia e Sergipe [refinarias litorâneas] e a RELAM - Refinaria de Manaus -, temos uma distância de mais de 2.500 km de extensão e um Grande Vazio de refino e distribuição de combustíveis e derivados de petróleo na Amazônia Oriental, Meio Norte, Centro-Oeste e Nordeste Ocidental, com cerca de 5 milhões de km2, que ainda persiste neste início de séc. XXI.

1.3. Esse Grande Vazio se caracteriza como uma BEDP - Bacia Econômica de Demandas de Derivados de Petróleo, a exemplo do funcionamento de uma grande bacia hidrográfica. Essa BEDP tem superfície superior ao tamanho de toda a Europa, com restrições geográficas e logísticas complexas, típicas do vasto hiterland Amazônico e do Centro-oeste, que somente podem ser aparelhadas e otimizadas pelos modais de transportes ferroviários e hidroviários.
1.4. Os habitantes, governos, agricultores, industriais, empresários de todas essas regiões pagam um preço maior pelos combustíveis e lubrificantes do que os das regiões onde se localizam as 11 refinarias existentes, o que aumenta as desigualdades regionais.

2) O DEBATE SOBRE A MICROLOCALIZAÇÃO DA RENOR:

            O projeto da RENOR vem sendo discutido desde o início dos anos 80. Nesses quase 25 anos de debates e campanhas acalorados cresce a convicção de que emergiu um único e óbvio consenso: para o país crescer, reduzir as desigualdades regionais, potencializar novos projetos estratégicos, consolidar e garantir a posse da Amazônia e o seu desenvolvimento sustentável, é preciso ampliar a Matriz Energética Brasileira e preencher o que chamamos de Grande Vazio Norte-Nordeste de derivados de petróleo.

3)      A QUESTÃO DEFINITIVA: A RENOR É UMA REFINARIA IDEALIZADA PARA ATENDER À AMAZÔNIA E AO NORDESTE:
3.1.Desde o início dos 80, a Petrobras tem ressaltado, em todos os seus relatórios técnicos, que há necessidade imperiosa de se construir uma nova refinaria de petróleo no país para abastecer as Regiões da AMAZÔNIA = NORTE e do NORDESTE.
3.2.Em entrevista recente [jan. 2003], a Ministra das Minas e Energia, DILMA ROUSSEF, reiterou esse paradigma. Portanto, é preciso que isto fique bem claro: a RENOR não deverá ser apenas uma refinaria a mais para abastecer o Nordeste.
3.3.A RENOR tem que ser uma refinaria com localização estratégica para abastecer, de forma multimodal, com alta percolação, com sentido biunívoco Importação & Exportação de forma rentável - na estruturada e holística visão de longo prazo -, as macrorregiões da Amazônia Oriental, Centro-Oeste e Nordeste.
3.4.A partir desse consenso de quase 25 anos, ficou apenas uma questão no ar, ou seja, a da microlocalização da 12ª refinaria da Petrobras.
3.5.Em qual estado e próximo a qual complexo portuário–industrial do Nordeste deve ser instalada a RENOR?
3.6.Pressupostos óbvios da resposta:
Ø  Ficar próxima a um complexo portuário existente (com tancagem e entreposto petroleiro), de grande calado e com capacidade para receber navios com tonelagem superior a 300 mil tpb.
Ø  Ter acesso ferroviário moderno ao hinterland produtivo do Centro-Oeste brasileiro;
Ø  Ficar na sub-região da Amazônia Oriental (i) para facilitar as operações de cabotagem para abastecimento marítimo e hidroviário da Região Norte; (ii) ficar no estado onde fossem aplicados recursos do FINAM e do FINOR, simultaneamente, visando a alavancagem de indústrias satélites e outras junto ao complexo da RENOR.

4)      A CORRIDA DE 1987: OS PRIMERIOS ESTUDOS DE MICROLOCALIZAÇÃO NO GOVERNO DO PRESIDENTE JOSÉ SARNEY
4.1. Em função dessa necessidade imperiosa, já no início de 1987 a Petrobras montou um Grupo de Trabalho interno para estudar a microlocalização da RENOR.
4.2. Foi elaborado então um relatório, o qual, apesar de muito sucinto [face à dimensão do projeto], já destacava São Luís como uma das únicas três microlocalizações vantajosas, ao lado de Fortaleza, Ceará e Porto de Suape, Pernambuco.
4.3. O Maranhão não se mobilizou, o governo federal não encontrou suporte político para alicerçar o projeto, o estudo não prosseguiu e a Petrobras deixou o assunto na “geladeira” até 1994!

5) A CORRIDA DE 1994-95: GOVERNO FHC
5.1. Em 1994 a Petrobras repetiu o mesmo dever de casa e elaborou o que chamou de Estudos de Microlocalização da Refinaria do Norte e Nordeste. Novamente outra “corrida da Refinaria do Norte e Nordeste” foi deflagrada após as declarações do então Presidente da Petrobras, Joel Rennó, que a empresa iria finalmente definir a seleção do local de instalação da RENOR.
5.2. Intensa mobilização, na época com farta utilização dos meios de comunicação e publicidade de massa, ocorreu em todos os Estados do Nordeste
5.3. No Maranhão a Câmara Municipal de São Luís – sob a Presidência do Vereador Francisco Carvalho - liderou a campanha de coleta nos bairros de quase 20.000 assinaturas propondo que a seleção do local definitivo da RENOR fosse adotada mediante decisão técnica em audiências públicas no Congresso Nacional.
5.4. Todos os demais estados fizeram mobilizações, em alguns casos com campanhas na grande imprensa nacional. A acirrada disputa virou um mercado de barganhas políticas, onde o escambo dos mais variados interesses acabou por adiar, mais uma vez, uma decisão do maior interesse nacional.

6) A CORRIDA DE 2003: GOVERNO LULA DO PT
6.1.           Logo após a posse do Presidente Lula do PT, a Ministra das Minas e Energia, Dilma Roussef [origem gaúcha], deu declaração pública afirmando que a RENOR deve ser um instrumento de redução das desigualdades regionais e deve ficar no Nordeste.
6.2.           Essa declaração detonou nova “corrida-do-ouro” em todos os estados do Nordeste e, mais, em alguns estados do Sudeste, em especial no Rio de Janeiro, onde em 06/01/2003 foi lançado o Movimento “A Refinaria é Nossa”, inclusive com site do mesmo nome, patrocinado pelas federações do Comércio e da Indústria fluminenses.
6.3.           De janeiro até abril 2003 as discussões se acirraram de tal forma que o Presidente da Petrobrás, Deputado Federal pelo PT (ora licenciado), José Eduardo Dutra [carioca] começou a esmaecer o assunto, dizendo:
Ø  num primeiro momento, que caberia aos estados interessados arranjar parceiros para financiar a RENOR;
Ø  e, em segundo momento, que a opção do governo seria a de ampliar as refinarias existentes e não mais implantar uma nova refinaria!!!
6.4.           Nenhuma das opções acima citadas é do maior interesse nacional: a primeira é uma falácia e a segunda preserva os fatores históricos de desigualdades regionais.
6.5.           A Petrobrás e, por extensão, o nosso Presidente pernambucano, visando negociar as reformas que tramitam no Congresso, parecem estar usando a RENOR como instrumento de pressão ou de troca, fazendo assim uso político dessa causa nacional.
6.6.           Resultado: passados quase 25 anos [até 2003], o leilão político se exacerba e o país, a Amazônia Oriental, o Centro-Oeste e o Nordeste Ocidental continuam sem a Refinaria do Norte e Nordeste.

7)      O PAPEL DO MARANHÃO NA CONQUISTA DA “COPA” RENOR:
7.1. Participar de uma competição política acirradíssima para sediar uma refinaria da Petrobras do porte da RENOR é mais difícil do que um país se candidatar a sediar uma Copa do Mundo de Futebol e convencer a FIFA.
7.2. A partir de 1995 o Maranhão desencadeou vários movimentos políticos para trazer a RENOR, o que é mais do que legítimo e natural.
7.3. No entanto, tais movimentos, não se sabe o porquê, tem sido organizados de uma forma fragmentada, um tanto paroquial, sempre enfocando apenas as potencialidades estaduais, nunca realçando os interesses macrorregionais e nacionais.
7.4. E por esse motivo, pode-se deduzir, o Maranhão nunca ocupou a pole position política nessa Copa RENOR, mesmo durante a gestão do Presidente José Sarney.
7.5. O que tem faltado ao Maranhão, até hoje, para liderar o processo de implantação da RENOR?

8)      DENSIDADE POLÍTICA REGIONAL:
8.1.      Pelos resultados alcançados até o momento [jun.2003] é inegável que tem faltado densidade política regional, ou seja: o Maranhão não tem agregado valor político regional e nem estudos abalizados – com expertise técnica e financeira internacional – e não tem buscado o apoio de outros estados em defesa deste projeto.
8.2.            Nossos aliados não são o Ceará e muito menos Pernambuco. Estes são naturalmente nossos ferrenhos rivais e sempre o serão, nesse caso, pois são opções legítimas para a instalação da RENOR, ainda que sem a infraestrutura e a logística de que dispõe o Maranhão.
8.3.            Nossos aliados políticos e parceiros comerciais preferenciais devem ser aqueles Estados que ou não tem porto marítimo ou tem porto sem calado satisfatório. Nessa condição temos vários gigantes da produção agroindustrial e grandes mercados consumidores: Goiás, Mato Grosso, M.Grosso do Sul, Tocantins, Pará e Piauí.
8.4.            Esses devem ser nossos maiores aliados políticos preferenciais nessa causa. Esses estados já usam a infra-estrutura multimodal de transportes de grãos e de internalização de carga geral, passageiros e combustíveis, através da ramificação estratégica das ferrovias de Carajás e do Nordeste, as Hidrovias dos Rios Araguaia, das Mortes e Tocantins, e das rodovias nacionais da região, com fulcro no Complexo Portuário da Ilha de São Luís - COMPORT, onde se inclui o maior Entreposto Regional de Combustíveis e o maior Píer Petroleiro [da EMAP, sucessora da Codomar, desde 01fev2001] de toda a Região Norte-Nordeste.

9)      O CONCEITO-CHAVE: LUTAR POR UM PROJETO DE INTERESSE NACIONAL

9.1. Com base nessas premissas, a senha para aumentar nossas chances não está dentro do Maranhão, mas sim no fato do Maranhão ser o melhor e mais rentável escoadouro natural de toda a produção dessa vasta região que engloba o Meio Norte, o Centro-Oeste, a Amazônia Oriental e o Nordeste Ocidental. Esta é uma questão de interesse nacional.
9.2. O processo de marcha em direção às novas fronteiras nacionais do séc. XX - a ocupação do Centro-Oeste, Meio Norte e da Amazônia Oriental -, foi iniciado por JK nos anos 60 com a construção de Brasília e da Rodovia Belém - Brasília. Mais tarde, veio a construção da Rodovia Transamazônica; da Usina Hidrelétrica de Tucuruí; do Projeto Ferro Carajás (Mina , Ferrovia e Porto); e, no final dos anos 80, pelas mãos do Presidente José Sarney e do seu Ministro de Transportes, Dr. José Reinaldo Tavares, o início da construção da imprescindível Ferrovia Norte-Sul.
9.3.Todos esses projetos são hoje realidades que se cruzam, se articulam e potencializam o Grande Eixo Nacional do Meio Norte, o qual, para nossa sorte, tem centro de gravidade logística e econômica na Região Tocantina, no Maranhão [ver mapa], onde se cruzam os quatro maiores eixos da integração nacional:
Ø  a Rodovia Transamazônica [eixo rodoviário Leste – Oeste que liga o litoral Atlântico em Pernambuco à Amazônia e às fraldas dos Andes, no Acre)
Ø  A Rodovia Belém – Brasília [eixo rodoviário Centro-Norte, que articula a ligação das rodovias que se originam no Rio Grande do Sul com ao Planalto central e a Amazônia];
Ø  A EFC - Estrada de Ferro Carajás, com 890 km, que movimenta mais de 50 milhões de toneladas de cargas por ano e liga a maior província mineral do mundo ao Comport – Complexo Portuário da Ilha de São Luís.
Ø  A Ferrovia Norte-Sul, com 240 km implantados [de um total de 1.500 km projetados] que conecta o Planalto Central á Estrada de Ferro Carajás.
Ø  A Ferrovia do Nordeste, concessão da CFN, compreendendo toda a Malha Ferroviária do Nordeste, operada até 1997 pela RFFSA, com 4.534 km de extensão, ligando sete estados do Nordeste.

9.4.Esses eixos estratégicos de transportes se cruzam no Maranhão, entre os municípios de Estreito e Açailândia, e integrados às hidrovias, se articulam, em termos institucionais, como o Corredor Multimodal de Transportes e Desenvolvimento Integrado Centro-Norte - Comdinor [gerenciado pela Valec e Ministério dos Transportes].
9.5.O Comdinor atravessa e abrange áreas de produção e catalisa microrregiões de grande dinamismo agroindustrial em 7 Estados: Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Pará, Piauí e Maranhão.
9.6.Deve-se considerar que o Projeto Ferro Carajás, o maior do mundo no gênero, é parte integrante desse corredor, ou melhor, é seu projeto-âncora, gerido pela CVRD e que deu início à consolidação desse eixo de desenvolvimento nacional.
9.7.A CVRD, portanto, além de ser uma das maiores multinacionais mundiais na sua área, é uma das maiores interessadas no projeto da RENOR, em virtude da possibilidade de extraordinário aumento da internalização de cargas ferroviárias, tanto via Estrada de Ferro Carajás, como Cia. Ferroviária do Nordeste [antiga RFFSA].
9.8.No mesmo contexto pode-se incluir o megaprojeto da Siderúrgica do Maranhão, ora em fase de projeto de engenharia e project finance pela CVRD com parceiros chineses.
9.9.Politicamente, este nos parece ser o melhor conceito-chave, talvez o único possível, para o Maranhão liderar, ocupar a pole position na Copa RENOR: agregar VPR - Valor Político Regional, agregando a participação de todos os estados beneficiados pelo Comdinor, o que é uma causa do maior interesse nacional e não apenas dos maranhenses.

10)  A AÇÃO DA SOCIEDADE MARANHENSE:
10.1.Acreditamos só ser possível atingir essa condição se o Governador do Estado do Maranhão, com apoio da classe política - incluindo Prefeitos e toda a bancada federal -, e das classes empresariais, liderar explicitamente esse processo de mobilização regional e nacional, em todos os níveis e determinar - a quem de direito - que se prepare um conjunto de eventos e peças de demonstração (inclusive bilíngües), isto é, trabalhos profissionais de engenharia, project finance e de marketing público nacional.
10.2.Com esses trabalhos (e suas diversas formas de apresentação multimídia) o Governador do Maranhão poderá promover (e, se necessário, delegar que se faça) os necessários contatos e reuniões políticas de alto nível com os demais Governadores dos Estados ao longo do Comdinor, para convencê-los a ser nossos parceiros comerciais e políticos nessa saga da RENOR.
10.3.Não há a menor dúvida que o somatório político é bom para esses estados e, igualmente, o inverso – a desagregação política, infra-estrutural e logística – será grandemente nociva para todos nós e para o país.
10.4.Essa mobilização política, empresarial e social é urgente, pois caso contrário, se nos acanharmos, nos acomodarmos à visão nativista e insistirmos em reivindicar batendo apenas na tecla focada no “potencial estadual”, corremos o risco de fazer apenas jogo de cena, desgastar o Maranhão perante a opinião pública, não sensibilizarmos nossos possíveis aliados, muito menos o governo federal e, por fim, não atingirmos objetivo algum.
10.5.Ainda há tempo de se fazer essa mobilização regional, de se ampliar as potencialidades do Corredor Centro-Norte e viabilizar um pacto de união regional em defesa:
Ø  da conclusão da Ferrovia Norte-Sul;
Ø  da implantação da Refinaria e da Siderúrgica do Maranhão;
Ø  da modernização e ampliação do Complexo Portuário do Itaqui-Ilha de São Luís – COMPORT;
Ø  do sistema energético de Gás Natural;
Ø  e, principalmente, da implantação do Campus de Ciência & Tecnologia e Distrito Industrial de Produção Aeroespacial agregados ao Centro de Lançamento de Alcântara.

11)  O PERIGO DA INTERNACIONALIZAÇÃO DA AMAZÔNIA:
11.1Garantir o desenvolvimento sustentável do Centro-Norte e da Amazônia é o mesmo que assegurar a soberania nacional. De outra forma, caso se relegue essas questões aos paroquiais limites físicos e aos interesses isolados de cada estado, corremos o risco de ver a proposta de internacionalização da Amazônia prosperar.
11.2A perda da soberania exclusiva sobre a maior floresta tropical, maior repositório de biodiversidade e maior bacia hidrográfica e reservatório de água doce do mundo poderá até ocorrer em breve tempo por quatro motivos principais, dentre vários outros:
Ø  a falta de planejamento estratégico nacional, de políticas regionais integradas e de infra-estrutura (social, militar e econômica) adequada na região;
Ø  o permanente alheamento de quase todos os segmentos da sociedade brasileira para com as questões políticas de longo prazo;
Ø   a concomitante facilitação de atos criminosos que vem se materializando com a manipulação de bens, produtos e instrumentos logísticos e estratégicos por países estrangeiros, como são os casos notórios de biopirataria, contrabando de drogas, armas, ouro e madeira;
Ø  e a entrega do SIVAM à tutela dos Estados Unidos;
           
Como reverter esse processo?
            Garantindo o desenvolvimento da espinha dorsal, do grande eixo estruturante nacional Centro-Norte, do COMDINOR, na forma delineada anteriormente.

12)  O GRANDE FUTURO AGORA [2003]:
12.1.Obviamente, a concretização de todos esses projetos não depende só da boa vontade e sabedoria dos maranhenses. No entanto, sabemos que uma grande e indiscutível parcela de responsabilidade nesse processo de integração nacional dependerá da nossa capacidade de enxergar o Grande Futuro e de perceber que temos a obrigação de negociar com obstinação, projetar com competência, vender idéias com profissionalismo, viabilizar recursos e dar início às fundações desses empreendimentos agora.
12.2.Em função dessa missão de grande complexidade política, técnica e econômico-financeira, parece-nos imprescindível entender que somente com a união e mobilização intensiva e permanente dos diferentes agentes e interesses nos vários estados citados poderá o Maranhão acelerar e consolidar o processo desenvolvimento sustentável ao longo do Corredor Centro-Norte como projeto de relevância e até mesmo de segurança nacional (pois significa a ligação estratégica das regiões Sul e Sudeste com a Amazônia, a exemplo do que já foi feito mediante a interligação dos linhões dos sistemas hidrelétricos de Tucuruí e Itaipu).
12.3.Do ponto de vista estadual, esta é seguramente uma das melhores e mais consistentes alternativas para que o Maranhão progrida mais rapidamente, de forma orgânica com seus estados vizinhos e deixe de ostentar a condição e a vergonhosa imagem de ser, ainda hoje, considerado pela opinião pública e pelos institutos de pesquisa e grandes veículos de comunicação nacionais, como um dos três estados mais pobres do Brasil.
12.4.Isso é o que mais nos motiva.

            Ronald de Almeida Silva
                Arquiteto, planejador urbano e regional.
                e-mail: ronald.arquiteto@gmail.com




PERFIL SÍNTESE DA RENOR –  1994:
            Dados obtidos em 23/nov/1994.

I)                   Valor do Empreendimento:
1.1 – US$ 1.5 bilhão

II)                 Empregos Diretos na Operação: (refinaria automatizada)
2.1 – 350 Funcionários

III) Produção industrial / Capacidade e refino / processamento de petróleo:
3.1 – 190.000 barris/dia (30.000 m³/dia)

IV) Consumo de Energia Elétrica :
4.1 – 90 GWh no primeiro ano de operação
4.2 – 97 GWh no segundo ano
4.3 – 220 GWh a partir do terceiro ano.

V) Consumo de Água:
5.1 – 500 m³/ hora

VI) Efluentes / Lançamentos

6.1 – 500 m³ / hora

VII) Área a ser Ocupada:
7.1 – 300 ha (3 km²)
7.2 – Área desejável: 600 ha (6 km).




quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

[30] HUMBERTO DE MARACANÃ E MARACANÃ DE HUMBERTO: CULTURA E BUMBA MEU BOI DE LUTO NO MARANHÃO - [21jan2015]


CULTURA E BUMBA MEU BOI DE LUTO NO MARANHÃO

(24 fotos no facebook)
https://www.facebook.com/ronaldalmeida.silva.1/timeline/story?ut=43&wstart=0&wend=1422777599&hash=-5595531348549224402&pagefilter=3

Boiada na contramão da Av. Casemiro Jr no dia da Morte do Grande Mestre Humberto de Maracanã [19jan2015]
Nossas Homenagens

No início da noite em que o fabuloso mestre do Bumba Boi do Maranhão – HUMBERTO DE MARACANÃ – faleceu, um fato insólito ocorreu no bairro do Anil: uma manada de quase 10 bois percorria, pachorrentamente, na contramão da Av. Casimiro Jr, uma das mais movimentadas da região Metropolitana da Grande São Luís. Lá ia a tropa bovina na sua lentidão de costume, como se fosse em direção à Av. Santos Dumont, para daí


pegar a BR-135 e chegar ao Maracanã, para dar o urro final em homenagem ao Grande Guriatã, criador, mantenedor e promotor cultural do Batalhão de Ouro do famosíssimo Boi de Matraca do Maracanã.


Não é pra fazer piada, mas me pareceu uma cena do realismo fantástico de um conto de Gabriel Garcia Marques ou de Jorge Amado. Assim que dobrei o sinal em frente ao Posto de Saúde do Anil deparei-me com a BOIADA, por volta das 18:15h e quase não acreditei no que via!!! Vejam as fotos e sintam o clima.
Homenagem Toponímica
Como homenagem ao Grande Guriatã, recomendo aos Vereadores de São Luís fazer uma homenagem definitiva ao Humberto do Maracanã: passar uma lei toponímica municipal, alterando o nome do bairro e antigo povoado onde ele sempre residiu e elaborou as maravilhosas toadas e onde está agora sepultado, que deveria passar a ser denominado de MARACANÃ DE HUMBERTO. Homenagem similar já foi feita em São Luís, quando mudaram o nome da Rua de Nazaré para Rua de Nazaré e Odylo, destacando assim o casal amoroso que formavam a doce Nazaré e o considerado escritor, poeta e jornalista maranhense de expressão nacional, Odylo Costa, filho.
Que Humberto e o Maracanã se entrelacem e se abracem um ao outro - para sempre - na memória dos maranhenses e na toponímia de São Luís.
Minhas homenagens às famílias e sua numerosa prole de 28 filhos, dezenas de netos e centenas de toadas magníficas.

Ronald de Almeida Silva.
São Luís Patrimônio Cultural Nacional e Mundial, MA; 19jan2015
e-mail: ronald.arquiteto@gmail.com

Morre Humberto de Maracanã, ícone do bumba meu boi no Maranhão
Ele morreu de falência múltipla dos órgãos nesta segunda-feira (19jan2015). Humberto era cantador do bumba meu boi de matraca 'Boi de Maracanã'
Fonte: Portal Globo G1
19/01/2015 18h22 - Atualizado em 20/01/2015 11h31
http://g1.globo.com/ma/maranhao/noticia/2015/01/morre-aos-75-anos-humberto-de-maracana-icone-do-bumba-meu-boi-no-ma.html

[São Luís, MA] Morreu, aos 75 anos, às 16h10 desta segunda-feira (19jan2015), em São Luís, o cantador Humberto Barbosa Mendes, do bumba meu boi de matraca "Boi de Maracanã". Ele estava internado no Hospital Carlos Macieira desde o dia 13 de janeiro com um quadro de infecção generalizada e veio a óbito por falência múltipla dos órgãos em decorrência de choque séptico, segundo o hospital.
De acordo com a família, Humberto passou mal quando estava em casa, na última terça-feira (13), e foi levado às pressas para o hospital, onde deu entrada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e ficou sob "sedação" e "ventilação mecânica". Ele havia passado por uma cirurgia de amputação da perna esquerda, apresentou melhora após o procedimento, mas permanecia em estado grave.


[29] DROGAS – TRÁFICO LEVA À PENA DE MORTE BRASILEIROS NA INDONÉSIA [21jan2015]

São Luís, Patrimônio Cultural Nacional e Mundial, Maranhão


DROGAS – PENA DE MORTE

A onda trágica dos surfistas e atletas brasileiros de “esportes de aventuras” na Indonésia

 

A Justiça da Indonésia determina a pena de morte e o governo fuzila o traficante de drogas carioca Marco Archer Cardoso Moreira, em 17jan2015.

 


“Sou traficante, traficante e traficante, só traficante”.

“O carioca Marco Archer Cardoso Moreira viveu 17 anos em Ipanema, 25 traficando drogas pelo mundo e 11 em cadeias da Indonésia, até morrer fuzilado, aos 53, neste sábado (17jan2015)...”

Repórter: Renan Antunes de Oliveira
Postado em 17 jan 2015; acessado em 21jan2015




Ricardo Goularte e Marco Aecher

O repórter Renan Antunes de Oliveira entrevistou Marco Archer em 2005, numa prisão na Indonésia. Abaixo, seu relato:

O carioca MARCO ARCHER CARDOSO MOREIRA viveu 17 anos em Ipanema, 25 traficando drogas pelo mundo e 11 em cadeias da INDONÉSIA, até morrer fuzilado, aos 53, neste sábado (17jan2015), por sentença da Justiça deste país muçulmano.
Durante quatro dias de entrevista em Tangerang, em 2005, ele se abriu para mim: “Sou traficante, traficante e traficante, só traficante”.
Demonstrou até uma ponta de orgulho: “Nunca tive um emprego diferente na vida”. Contou que tomou “todo tipo de droga que existe”.
Naquela hora estava desafiante, parecia acreditar que conseguiria reverter a sentença de morte.
Marco sabia as regras do país quando foi preso no aeroporto da capital Jakarta, em 2003, com 13,4 quilos de cocaína escondidos dentro dos tubos de sua asa delta. Ele morou na ilha indonésia de Bali por 15 anos, falava bem a língua bahasa e sentiu que a parada seria dura.
Tanto sabia que fugiu do flagrante. Mas acabou recapturado 15 dias depois, quando tentava escapar para o Timor do Leste. Foi processado, condenado, se disse arrependido. Pediu clemência através de Lula, Dilma, Anistia Internacional e até do papa Francisco, sem sucesso. O fuzilamento como punição para crimes é apoiado por quase 70% do povo de lá.
Na mídia brasileira, Marco foi alternadamente apresentado como “um garoto carioca” (apesar dos 42 anos no momento da prisão), ou “instrutor de asa delta”, neste caso um hobby transformado na profissão que ele nunca exerceu.
Para Rodrigo Muxfeldt Gularte, 42, o outro brasileiro condenado por tráfico, que espera fuzilamento para fevereiro, companheiro de cela dele em Tangerang, “Marco teve uma vida que merece ser filmada”. Rodrigo até ofereceu um roteiro sobre o amigo à cineasta curitibana Laurinha Dalcanale, exaltando: “Ele fez coisas extraordinárias, incríveis.”
O repórter pediu um exemplo: “Viajou pelo mundo todo, teve um monte de mulheres, foi nos lugares mais finos, comeu nos melhores restaurantes, tudo só no glamour, nunca usou uma arma, o cara é demais.”
Para amigos em liberdade que trabalharam para soltá-lo, o que aconteceu teria sido “apenas um erro” do qual ele estaria arrependido. Na versão mais nobre, seria a tentativa desesperada de obter dinheiro para pagar uma conta de hospital pendurada em Cingapura – Marco estaria preocupado em não deixar o nome sujo naquele país. A conta derivou de uma longa temporada no hospital depois de um acidente de asa delta. Ter sobrevivido deu a ele, segundo os amigos, um incrível sentimento de invulnerabilidade.
Ele jamais se livrou das sequelas. Cheio de pinos nas pernas, andava com dificuldade, o que não o impediu de fugir espetacularmente no aeroporto quando os policiais descobriram cocaína em sua asa delta.
Arriscou tudo ali. Um alerta de bomba reforçara a vigilância no aeroporto. Ele chegou a pensar em largar no aeroporto a cocaína que transportava e ir embora, mas decidiu correr o risco. Com sua ficha corrida, a campanha pela sua liberdade nunca decolou das redes sociais. A mãe dele, dona Carolina, conseguiu o apoio inicial de Fernando Gabeira, na Câmara Federal, com voto contra de Jair Bolsonaro.
O Itamaraty e a presidência se mexeram cada vez que alguma câmera de TV foi ligada, mesmo sabendo da inutilidade do esforço.
Mesmo aparentemente confiante, ele deixava transparecer que tudo seria inútil, porque falava sempre no passado, em tom resignado: “Não posso me queixar da vida que levei”.
Marco me contou que começou no tráfico ainda na adolescência, diretamente com os cartéis colombianos, levando coca de Medellín para o Rio de Janeiro. Adulto, era um dos capos de Bali, onde conquistou fama de um sujeito carismático e bem humorado.
A paradisíaca Bali é um dos principais mercados de cocaína do mundo graças a turistas ocidentais ricos que vão lá em busca de uma vida hedonista: praias deslumbrantes, droga fácil, farta — e cara.
O quilo da coca nos países produtores, como Peru e Bolívia, custa 1 000 dólares. No Brasil, cerca de 5.000. Em Bali, a mesma coca é negociada a preços que variam entre 20.000 e 90.000 dólares, dependendo da oferta. Numa temporada de escassez, por conta da prisão de vários traficantes, o quilo chegou a 300 000 dólares.
Por ser um dos destinos prediletos de surfistas e praticantes de asa delta, e pela possibilidade de lucros fabulosos, Bali atrai traficantes como Marco. Eles se passam por pessoas em busca de grandes ondas, e costumam carregar o contrabando no interior das pranchas de surf e das asas deltas. Archer foi pego assim. Tinha à mão, sempre que desembarcava nos aeroportos, um álbum de fotos que o mostrava voando, o que de fato fazia.
O homem preso por narcotráfico passou a maior parte da entrevista comigo chapado. O consumo de drogas em Tangerang era uma banalidade.
Pirado, Marco fazia planos mirabolantes – como encomendar de um amigo carioca uma nova asa, para quando saísse da cadeia.
Nos momentos de consciência, mostrava que estava focado na grande batalha: “Vou fazer de tudo para sair vivo desta”.
Marco era um traficante tarimbado: “Nunca fiz nada na vida, exceto viver do tráfico.” Gabava-se de não ter servido ao Exército, nem pagar imposto de renda. Nunca teve talão de cheques e ironizava da única vez numa urna: “Minha mãe me pediu para votar no Fernando Collor”.
A cocaína que ele levava na asa tinha sido comprada em Iquitos, no Peru, por 8 mil dólares o quilo, bancada por um traficante norte-americano, com quem dividiria os lucros se a operação tivesse dado certo: a cotação da época da mercadoria em Bali era de 3,5 milhões de dólares.
Marco me contou, às gargalhadas, sua “épica jornada” com a asa cheia de drogas pelos rios da Amazônia, misturado com inocentes turistas americanos. “Nenhum suspeitou”. Enfim chegou a Manaus, de onde embarcou para Jakarta: “Sair do Brasil foi moleza, nossa fiscalização era uma piada”.

Na chegada, com certeza ele viu no aeroporto indonésio um enorme cartaz avisando: “Hukuman berta bagi pembana narkotik’’, a política nacional de punir severamente o narcotráfico.
“Ora, em todo lugar do mundo existem leis para serem quebradas”, me disse, mostrando sua peculiar maneira de ver as coisas: “Se eu fosse respeitar leis nunca teria vivido o que vivi”.
Ele desafiou o repórter: “Você não faria a mesma coisa pelos 3,5 milhões de dólares”?
Para ele, o dinheiro valia o risco: “A venda em Bali iria me deixar bem de vida para sempre” – na ocasião, ele não falou em contas hospitalares penduradas.
Marco parecia exagerar no número de vezes que cruzou fronteiras pelo mundo como mula de drogas: “Fiz mais de mil gols”. Com o dinheiro fácil manteve apartamentos em Bali, Hawai e Holanda, sempre abertos aos amigos: “Nunca me perguntaram de onde vinha o dinheiro pras nossas baladas”.
Marco guardava na cadeia uma pasta preta com fotos de lindas mulheres, carrões e dos apartamentos luxuosos, que seriam aqueles onde ele supostamente teria vivido no auge da carreira de traficante.
Num de seus giros pelo mundo ele fez um cursinho de chef na Suíça, o que foi de utilidade em Tangerang. Às vezes, cozinhava para o comandante da cadeia, em troca de regalias.
Eu o vi servindo salmão, arroz à piemontesa e leite achocolatado com castanhas para sobremesa. O fornecedor dos alimentos era Dênis, um ex-preso tornado amigão, que trazia os suprimentos fresquinhos do supermercado Hypermart.
Marco queria contar como era esta vida “fantástica” e se preparou para botar um diário na internet. Queria contratar um videomaker para acompanhar seus dias. Negociava exclusividade na cobertura jornalística, queria escrever um livro com sua experiência – o que mais tarde aconteceu, pela pena de um jornalista de São Paulo. Um amigo prepara um documentário em vídeo para eternizá-lo.
Foi um dos personagens de destaque de um bestseller da jornalista australiana Kathryn Bonella sobre a vida glamurosa dos traficantes em Bali — orgias, modelos ávidas por festas e drogas depois de sessões de fotos, mansões cinematográficas.
Diplomatas se mexeram nos bastidores para tentar comprar uma saída honrosa para Marco. Usaram desde a ajuda brasileira às vítimas do tsunami até oferta de incremento no comércio, sem sucesso. Os indonésios fecharam o balcão de negócios.

As execuções são assim
As execuções são assim

O assessor internacional de Dilma, Marco Aurélio Garcia, disse que o fuzilamento deixa “uma sombra” nas relações bilaterais, mas na lateral deles o pessoal não tá nem aí.
A mãe dele, dona Carolina, funcionária pública estadual no Rio, se empenhou enquanto deu para livrar o ‘garotão’ da enrascada, até morrer de câncer, em 2010.
As visitas dela em Tangerang eram uma festa para o staff da prisão, pra quem dava dinheiro e presentes, na tentativa de aliviar a barra para o filhão.
Com este empurrão da mamãe Marco reinou em Tangerang, nos primeiros anos – até ser transferido para outras cadeias, à espera da execução.
Eu o vi sendo atendido por presos pobres que lhe serviam de garçons, pedicures, faxineiros. Sua cela tinha TV, vídeo, som, ventilador, bonsais e, melhor ainda, portas abertas para um jardim onde ele mantinha peixes num laguinho. Quando ia lá, dona Carola dormia na cama do filho.
Marco bebia cerveja geladinha fornecida por chefões locais que estavam noutro pavilhão. Namorava uma bonita presa conhecida por Dragão de Komodo. Como ela vinha da ala feminina, os dois usavam a sala do comandante para se encontrar.
A malandragem carioca ajudou enquanto ele teve dinheiro. Ele fazia sua parte esbanjando bom humor. Por todos os relatos de diplomatas, familiares e jornalistas que o viram na cadeia de tempos em tempos, Marco, apelidado Curumim em Ipanema, sempre se mostrou para cima. E mantinha a forma malhando muito.
Para ele, a balada era permanente. Nos últimos anos teve várias mordomias, como celular e até acesso à internet, onde postou algumas cenas.
Um clip dele circulou nos últimos dias – sempre sereno, dizendo-se arrependido, pedindo a segunda chance: “Acho que não mereço ser fuzilado”.
Marco chegou ao último dia de vida com boa aparência, pelo menos conforme as imagens exibidas no Jornal Hoje, da Globo. Mas tinha perdido quase todos os dentes em sua temporada na prisão, como relatou a jornalista e escritora australiana. No Facebook, ela disse guardar boas recordações de Archer, e criticou a “barbárie” do fuzilamento.
Numa gravação por telefone, ele ainda dava conselhos aos mais jovens, avisando que drogas só podem levar à morte ou à prisão.
Sua voz estava firme, parecia esperar um milagre, mesmo faltando apenas 120 minutos pra enfrentar o pelotão de fuzilamento – a se confirmar, deixou esta vida com o bom humor intacto, resignado.
Sabe-se que ele pediu uma garrafa de uísque Chivas Regal na última refeição e que uma tia teria lhe levado um pote de doce-de-leite.
O arrependimento manifestado nas últimas horas pode ser o reflexo de 11 anos encarcerado. Afinal, as pessoas mudam. Ou pode ter sido encenação. Só ele poderia responder.
Para mim, o homem só disse que estava arrependido de uma única coisa: de ter embalado mal a droga, permitindo a descoberta pela polícia no aeroporto.
“Tava tudo pronto pra ser a viagem da minha vida”, começou, ao relatar seu infortúnio.
Foi assim: no desembarque em Jakarta, meteu o equipamento no raio x. A asa dele tinha cinco tubos, três de alumínio e dois de carbono. Este é mais rijo e impermeável aos raios: “Meu mundo caiu por causa de um guardinha desgraçado”, reclamou.
“O cara perguntou ‘por que a foto do tubo saía preta’? Eu respondi que era da natureza do carbono. Aí ele puxou um canivete, bateu no alumínio, fez tim tim, bateu no carbono, fez tom tom”. O som revelou que o tubo estava carregado, encerrando a bem-sucedida carreira de 25 anos no narcotráfico.
Marco ainda conseguiu dar um drible nos guardas. Enquanto eles buscavam as ferramentas, ele se esgueirou para fora do aeroporto, pegou um prosaico táxi e sumiu. Depois de 15 dias pulando de ilha em ilha no arquipélago indonésio passou sua última noite num barraco de pescador, em Lombok, a poucas braçadas de mar da liberdade. Acordou cercado por vários policiais, de armas apontadas. Suplicou em bahasa que tivessem misericórdia dele.
No sábado, enfrentou pela última vez a mesma polícia, mas desta vez o pessoal estava cumprindo ordens de atirar para matar.
Foi o fim do Curumim.

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Postado em 20 jan 2015
Publicado na bbc.

“Nevando em Bali”, livro que expõe em detalhes o submundo das drogas na mais famosa ilha do arquipélago que forma a Indonésia, chama a atenção não apenas pela descrição da mistura de crime e hedonismo no paraíso turístico que recebe mais de 2 milhões de visitantes por ano.
Muitos dos traficantes entrevistados pela escritora e jornalista australiana Kathryn Bonella para o livro eram brasileiros. Entre eles, Marco Archer, que no último sábado se tornou o primeiro brasileiro executado no exterior. Para Bonella, no entanto, o mais significativo foi o fato de Archer ter sido também o primeiro ocidental a receber a pena de morte na Indonésia.
Para a australiana, a morte estourou o que ela chama de “bolha da fantasia” para os brasileiros envolvidos com o tráfico no país.
“A morte de Marco foi decididamente o que se pode chamar do fim de uma fase. Sempre se soube que o tráfico na Indonésia é punido com a pena de morte, mas as autoridades indonésias jamais tinham ido até o fim na punição a ocidentais”, afirma Bonella, em entrevista à BBC Brasil.
“Ao mesmo tempo que isso não vai acabar com o tráfico em Bali, eu imagino que muitos brasileiros vão pensar duas vezes diante da próxima oportunidade de contrabandear drogas para a Indonésia. Mas duvido que isso vá durar para sempre. Há uma grande demanda por drogas em Bali, é um lugar para onde turistas do mundo inteiro vão para se divertir sem os mesmos limites vistos na maioria dos lugares do mundo.”
Para Bonella, a frequência com que encontrou brasileiros envolvidos com o tráfico na Indonésia – de transportadores de droga a ricos intermediários entre os grandes barões – é explicada pelo perfil da maioria dos viajantes do país para o arquipélago.
“Os brasileiros que encontrei tinham basicamente o mesmo perfil. Eram surfistas que viram no tráfico, em especial de cocaína, uma chance de se manter em Bali e viver uma vida de fantasia, pegando ondas, indo a festas e encontrando belas mulheres. A proximidade do Brasil com os mercados produtores de cocaína na América do Sul ajuda no acesso à droga. E, ao contrário dos habitantes de muitos países, os brasileiros viajam normalmente pelo mundo”, argumenta Bonella.
Outro fator que diferencia os traficantes brasileiros que a australiana encontrou na Indonésia é o perfil social.
“Eles eram todos de classe média, com escolaridade e conhecimento razoável de inglês. Entraram no tráfico pela curtição, não por uma necessidade econômica. Queriam viver tendo do bom e do melhor. Bem diferentes das ‘mulas’ (transportadores de droga), que recebem pouco dinheiro para muito risco. Um dos brasileiros que conheci em Bali podia ganhar uma fortuna com uma viagem bem-sucedida”, conta a australiana.
Um dos grandes exemplos foi um carioca conhecido como “Rafael”, um surfista que durante anos foi uma das principais engrenagens no tráfico de cocaína em Bali e que não fazia muita questão de esconder seus lucros: dava festas homéricas em sua mansão à beira-mar, onde uma das atrações era um trampolim do qual ele saltava de seu quarto diretamente para a piscina.
Bonella esteve na Indonésia no fim de semana e acompanhou através da mídia e de relatos de contatos a execução de Marco Archer. Embora faça questão de criticar a opção do brasileiro pelo tráfico, a australiana disse ter ficado chocada com o desfecho de um dos personagens mais citados em Nevando em Bali – numa das passagens, Bonella conta que Archer dominava o fornecimento de maconha em Bali e tinha até registrado a marca de um tipo de erva que vendia, a Lemon Juice.
“Visitei Marco na prisão durante a pesquisa para o livro. Sabia o que ele estava fazendo e de maneira nenhuma endosso o tráfico. Mas ele era carismático e até cozinhou na prisão para mim, e parecia ter muitos amigos na Indonésia, pois recebi uma série de mensagens lamentando sua morte. Sou pessoalmente contra a pena capital, em especial a tortura psicológica que foi Marco ter vivido mais de dez anos com a possibilidade de execução pairando sobre sua cabeça.”
Numa das visitas, Bonella foi apresentada a Rodrigo Gularte, o outro brasileiro condenado à morte e cuja execução poderá ocorrer ainda este ano. Foi no livro da australiana que veio à tona uma suposta tentativa de suicídio do brasileiro após o anúncio da sentença, em 2005.
“Não pude comprovar, mas me pareceu claro que Rodrigo tinha sido afetado de maneira bem diferente de Marco”, disse.
A australiana disse não acreditar que a pressão internacional sofrida pela Indonésia nos últimos dias, inclusive com a retirada dos embaixadores de Brasil e Holanda (que também teve um cidadão executado no fim de semana), poderá mudar o destino do brasileiro e dois australianos também no corredor da morte.
“Não me parece que os protestos vão alterar a política de Joko Widodo (o presidente da Indonésia). Há um forte sentimento antidrogas entre a população local”, avalia.
“Os traficantes devem estar assustados, mas o tráfico não vai parar. Há muita demanda, até porque a Indonésia é usada como centro de distribuição das drogas para outros países asiáticos e mesmo a Austrália. Só que agora os envolvidos sabem que a situação ficou ainda mais perigosa”, opina Bonella.

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Indonésia nega pedido de clemência e segundo brasileiro deve ser fuzilado


Fonte: Portal uol:
Postado em 21 de janeiro de 2015 às 1:32 pm
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/indonesia-nega-pedido-de-clemencia-e-segundo-brasileiro-deve-ser-fuzilado/

O brasileiro RODRIGO GULARTE deve ser fuzilado na Indonésia por tráfico de drogas, após as autoridades do país asiático negarem o pedido de clemência realizado pelo governo brasileiro, informou nesta terça-feira (20) o Itamaraty.
“O pedido de clemência de Rodrigo Gularte foi negado pelas autoridades indonésias”, revelou a chancelaria em Brasília.
Gularte, 42, foi condenado à morte em 2005 por ingressar na Indonésia com seis quilos de cocaína escondidos em pranchas de surf.
A data da execução não foi fixada, segundo a chancelaria.


Pena de morte

Janot pede que Indonésia adie execução de brasileiro

Procurador-geral da República sugere outra forma de punição, como o cumprimento de prisão no Brasil. Traficante deve ser fulizado [FUZILADO] neste sábado

 

Fonte: Portal revista VEJA

16/01/2015 - 22:21

http://veja.abril.com.br/noticia/mundo/janot-pede-adiamento-de-execucao-de-brasileiro-na-indonesia


O brasileiro Marco Archer Cardoso Moreira sentado em uma cela na corte de Tangerang, perto de Jacarta. Um tribunal indonésio condenou Moreira à morte por tráfico de drogas - 08/06/2004 (Beawiharta BEA/TW/Reuters)

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviou uma carta ao chefe do Ministério Público da Indonésia pedindo o adiamento da execução de Marco Archer Cardoso Moreira, marcada para este fim de semana. Caso o adiamento seja concedido, a intenção é promover um diálogo entre as procuradorias no sentido de que a condenação à pena de morte por tráfico de drogas seja reconsiderada.
Na mesma correspondência, o procurador-geral da República solicitou que seja considerada a possibilidade de comutação da pena de RODRIGO MUXFELDT GULARTE, também condenado à morte por tráfico.
Janot demonstrou respeito pelos esforços da Indonésia para combater essa prática criminosa e disse que não pretende desrespeitar a soberania do país nem pedir anistia aos condenados, apenas solicitar que outras formas de punição, com o cumprimento da pena de prisão no Brasil, a partir de um acordo entre os dois países.
"Apesar de seus atos ilícitos, devemos considerar a situação extrema de ser sentenciado à morte em uma terra estrangeira. Tal circunstância produz uma sensação de solidão e abandono", argumentou.

Transferência de presos – Caso o pedido seja aceito, o gesto do governo indonésio será "sempre lembrado pelo povo brasileiro como um ato de humanidade e boa vontade e irá certamente elevar as perspectivas para cooperação bilateral", acrescentou Janot. Ele citou ainda a possibilidade de uma missão oficial brasileira, com representantes de alto nível, visitar Jacarta para discutir a situação dos brasileiros e mecanismos de cooperação.
O procurador-geral da República sugere também a negociação de um novo tratado para a transferência de presos entre os dois países, e destacou a importância da assistência jurídica mútua e do fortalecimento dos protocolos de extradição, propondo que os dois Ministérios Públicos trabalhem em um memorando de entendimento. "Isso certamente nos aproximaria, com o fim reforçar nossa relação de confiança, amizade e cordialidade", concluiu.

Dilma ouve um ‘não’ – A solicitação foi feita depois que o presidente Joko Widodo negou um apelo pessoal da presidente Dilma Rousseff em favor dos brasileiros condenados à morte. Em conversa telefônica, a presidente “ressaltou ter consciência da gravidade dos crimes cometidos pelos brasileiros e disse respeitar a soberania da Indonésia e do seu sistema judiciário”, informou o Palácio do Planalto. O apelo foi feito “como chefe de Estado e como mãe, por razões eminentemente humanitárias”. “A presidente recordou que o ordenamento jurídico brasileiro não comporta a pena de morte e que seu enfático apelo pessoal expressava o sentimento da sociedade brasileira”.
O assessor especial para assuntos internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, afirmou que o governo brasileiro considerou “extremamente frustrante” a negativa da Indonésia. “Evidentemente isso vai criar uma dificuldade grande no relacionamento entre Indonésia e Brasil porque nos parece que, respeitando a legislação daquele país, de qualquer maneira está se utilizando uma pena extremamente pesada para um crime, grave, mas que poderia perfeitamente ser resolvido de outra forma”.

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